Life and Death Matters

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Friday, June 06, 2008

Revolta

Fui descrito ontem à noite como revoltado. Senti tons de desaprovação. Então, após meses de inatividade....

Como ilustraram Bakunin e Camus, ser revoltado é ser humano. Mas não confundamos revoltado com revolucionário, nem revoltado com simplesmente bravo. Eu não estou bravo, nem sou grande crente em revoluções. Mas revoltar-se contra esse mar de merda que vejo ao meu redor, permeando a vida pública e vida privada: não vejo isso como nada mais que humano.

Itsván Mészáros certa vez postulou que sofríamos (e continuamos a sofrer) uma crise de subjetividade: não vemos para além do capital. Concordo, mas também não vemos para além do Estado, muito menos de Deus. É uma miopia gritante, sufoca.

Revolto-me contra o que cerceia a liberdade, e essas três instituições acima -Deus, Estado e o Capital- fazem exatamente isso. Ser humano é não aceitar a mediocridade de aceitar. Portanto, revoltar-se.

Vejo como prova de que a revolta é válida essa guinada patética que o mundo, a partir do final dos anos 70, deu para a direita. Pensou-se que era melhor ter ordem do que justiça. Concluiu-se ser mais desejável financeirizar a economia mundial, transformando o Estado (que de maneira alguma diminuiu de tamanho, vide os EUA) em instrumento subordinado a quem detém controle do capital. Deu no que deu: tirando o Chile de Augusto Pinochet, nenhuma economia neoliberal conseguiu crescimento que não fosse, quando comparado àquele do período do capitalismo denomimado "dourado" (pós-guerra ao primeiro Choque do Petróleo), pífio, dependente sempre de bolhas. Países que tiveram crescimento notável ou eram/viraram social-democratas (Inglaterra, por incrível que pareça) ou usam trabalho escravo (Índia e China, por exemplo).

Além da economia, pensou-se em trocar, como é típico do pensamento da direita, justiça por ordem. E deu no que deu: aumento da criminalidade (em geral, como no Brasil, ou da delinqüência juvenil, como na Grã-Bretanha), do uso de drogas, da gravidez precoces, dos casos de DSTs...

Como notou Orwell, entre outros, o mundo, desde a final da era Vitoriana tem em suas mãos a possibilidade de acabar com a fome, com a miséria, com a necessidade. Curiosamente, cá estamos, com fomes aguçadas pelo mercado (ver, por exemplo, o trabalho de Amartya Sen a respeito da quão eficaz é o mercado, ou o trabalho de Joseph Stiglitz, a respeito da possibilidade econômica da não-intervenção estatal em assuntos fiscais e monetários); uma epidemia que alastra-se mundo afora, em grande parte por causa de conservadorismo derivado de religião; e crises financeiras seríssimas a cada década.

Revolto-me porque não vemos além daquilo que nos impossibilita de ser livre. Quanto a Deus, o já-mencionado Bakunin disse tudo: é o maior algoz da humanidade (a respeito disso, ver o seu livro Deus e o Estado). O Estado existe para si mesmo; é no mínimo ingênuo pensar que ele suprirá as necessidades de alguém a não ser ele próprio. Quanto ao Capital, este trouxe um mundo melhor do que aquele que havia antes dele, mas não trouxe uma sociedade justa. E sem justiça, não há ordem, e sem justiça não há liberdade.

Se aceitar as coisas como são valesse a pena, o Brasil não seria o caos que é hoje, com uma elite nefasta (elite essa da qual faço parte, diga-se de passagem) que acaba com todas as possibilidades de todos os brasileiros e do próprio país. Aceitar as coisas como são deu-nos o mundo que hoje temos: mais perto de uma guerra nuclear, de catástrofes ambientais, mais perto do fim de tudo.

Ser rico, crer em Deus, ou ser burocrata não é desculpa para nada. O desejo de ser rico transformou o EUA no país mais perigoso do mundo; crer em Deus (e tudo que isso implica) fez de Israel um estado racista, assassino e suicida (ó, ironia!); e elevar a burocracia à patamar de divindade fez da China o maior país escravocrata do planeta. Revoltar-se é apenas abrir os olhos para o que está bem em frente do nariz e parar de olhar para a porra do umbigo.

Nota: quando acabarem minhas aulas, escrevo mais.

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