Life and Death Matters

I'm good at trivia, listen to progressive rock, drink Gin & Tonics, and read philosophy when nature calls. Curiously enough, I'm also single.
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Friday, November 14, 2008

Laços de Família

O que mais me traz arrepios em blogs, especialmente quando em sites de relacionamento, é o tom confessionário de alguns deles, quando seus/suas autores(as) nos contam de suas últimas compras, suas últimas fodas e o quão verbalmente abusivo era o técnico de tênis que tinham aos quinze anos. É uma puta duma chatice e, além de ser um grande indicador da solidão da nossa sociedade dita pós-moderna, é uma maneira de certificar-se de que tal solidão permaneça intocada, não tratada.

Uma pena, já que aqui vai uma confissão.

Sou, como os dois ou três leitores deste blog bem sabem (beleza aí, Marquinhos? Certo aí, Pots?), um hipócrita: reclamo da miopia das pessoas quando estas não enxergam além do Capital, do Estado e de Deus, mas o faço do extremo conforto de Capital acumulado pela minha família (um computador bacanão, livros e revistas mil, etc.).  Enfim, sou (meio que) um bostão, não tenho muita envergadura moral para reclamar do jeito que reclamo, mas penso ser muito pior fazer de conta que um defeito de personalidade (o meu seria um gritante conformismo) me impeça de perceber algumas realidades por aquilo que são (ou, para usar a terminologia marxista, não ser refém de uma eventual falsa consciência, apesar de tal conceito ser, sim, bastante contestável).

Por exemplo, ter dinheiro no Brasil não significa que você automaticamente é ladrão, i(a)moral, de direita, etc. Pode-se até ser o que os franceses chamam de gauche-caviar (que é o meu caso, diga-se de passagem), mas mesmo isso não implica que devamos aceitar o conservadorismo, ou o reacionarismo; não vejo porque falhas de caráter como as que tenho deveriam fazer-me automaticamente me filiar ao DEM.

A razão, então, pela qual contesto as opiniões de muitos membros de meus familiares: o conservadorismo socio-econômico e religioso destes me é nojento, verdadeiramente escroto, em descompasso com os tempos (exceto, claro, no Brasil, onde insistimos em viver num eterno passado). Enquanto o bonde da história transporta-nos a possibilidade do multiculturalismo, do pluralismo, de um maior entendimento com O Outro, meus familiares (há, claro, nobres exceções) insistem em ser classistas, racistas, xenófobos, avessos a outras religiões que não o Judaísmo, belicistas e reacionários; ao leitor que não acreditar em mim, resta-me apenas estender um convite a um jantar ou em minha residência ou na de minha avó, curiosamente a duas quadras de onde moro.

Melhor exemplo não há do que Kleison (nome fictício). Kleison é um homem culto, lido, tem fundos, maravilhosa família, etc. Não é um ser qualquer, um daqueles filósofos de poltrona que ao ler uma reportagem sobre espiões na Super Interessante decreta-se pronto a chefiar a CIA (ou, nos dias de hoje, a Abin). Formado em Direito pela PUC-SP (ainda uma das melhores escolas no Brasil para tal disciplina), Kleison certamente é bem versado naquilo que é, pela maioria das sociedades do Ocidente e muitas do Oriente, aceito como certo e errado, moral e imoral (ética, claro, é outro papo).

Mas Kleison vê o mundo não através das possibilidades que este oferece, e sim pelo prisma do medo do Outro e, portanto, daquilo que ele deseja que o mundo deixe de oferecer. Afim de explicar, vale a pena verificar suas escolhas ideológicas para com a política no Brasil.

Primeiro, a aceitação cega daquilo que a Grande Imprensa (ou a "mídia nativa", como a denomina Mino Carta) diz ser a Verdade. E como é integrante da Classe A, a Revista Veja é sua fonte de Verdade;  o fato de a revista em questão ser claramente golpista não importa, já que ele mesmo participaria de um golpe contra o governo Lula (mais acerca disto em seguida); o fato de a revista em questão ser fonte do jornalismo mais chulo hoje visto no Brasil (clicar aqui e aqui para meros dois exemplos) não só não o impressiona como não registra, para começo de conversa.

Depois, um ódio visceral e absolutamente irracional para com o PT. Agora, vale aqui uma ressalva: não resta dúvida, ao meu ver, que o PT não só tornou-se um partido igual aos outros partidos grandes do Brasil (corrupto, sem ideologia ou projeto político, unicamente preocupado com a manutenção do poder), como é infinitamente mais desapontador em seu esfalecimento do que foi, por exemplo, o PSDB já que, a certa altura do campeonato, chegou a representar uma grande possibilidade de mudança. Mas isso Kleison não vê: ao invés, cínico, enxerga o fracasso retumbante do PT no simples fato de que todo e qualquer partido precisa ser, no Brasil, corrupto. Como disse Oscar Wilde, "the cynic knows the price of everything and the value of nothing", e Kleison cabe certinho nesta descrição, portanto ignorando qualquer projeto de um Brasil melhor que provenha de um partido político. Ele dirá que, por hora, tal projeto é possível através do PSDB, mas ignora que tal partido, nos 8 anos em que esteve no poder, agiu de maneira idêntica àquela do PT recente, com a exceção de que, respaldados pela mídia nativa (para isso, ver O Consenso Forjado, de Francisco Fonseca), não sofreram escrutínio em demasia quando compravam votos para reeleger Fernando Henrique Cardoso ou quando sumiam com as centenas de bilhões de dólares provenientes das privatizações dos anos 90.

Grande parte deste grotesco cinismo de Kleison (e tantos outros membros de minha família) tem sua origem no mais absoluto classismo e racismo. Não é aceitável, ao ver destes, que um ex-metalúrgico nordestino que, por bem ou por mal, representa, de alguma maneira, os pobres (e, portanto, muitos não-brancos e, pior, não-judeus!) seja Presidente da República, que tenha em suas mãos, por exemplo, o poder para com o Orçamento da União. Se ele foi o Presidente que mais ajudou a tornar os ricos mais ricos; se foi ele o presidente que mais favoreceu as instituições financeiras no Brasil, nada disso importa, pois Lula é (e, para a grande maioria de meus familiares, nunca deixará de ser) um sujeito pobre (pecado #1), analfabeto (pecado #2), proletário (pecado #3) e, independente do que hoje fala o presidente, de esquerda (pecado #4).

Tendo isso em mente, qualquer vitória do presente governo no âmbito social e político é mera obra do acaso. Logo, qualquer bom sinal proveniente do Bolsa Família é ou vitória exclusiva de Ruth Cardoso, criadora do programa, ou resultado de altos preços de commodities. Nunca o programa em questão (cuja mera existência, diga-se de passagem, considero vergonhosa para o País como um todo) pode ter obtido sucesso pelo esforço daqueles que o promovem, planejam e executam. Pior: nos é dito que o Bolsa Família e péssimo para o Brasil porque faz com que seus beneficiados não queiram trabalhar. Que o Bolsa Família paga muitas vezes menos de R$100 para quem faz parte dele, ou que o dito "efeito preguiça" seja uma lenda fundada mais em ódio de classe do que em dados empíricos, é obviamente irrelevante, já que pelo menos no discurso que ouço de minha família a uns vinte-e-poucos anos, lugar de pobre é ou servindo ao rico ou na cadeia. (Quem quiser maiores informações a respeito do programa pode verificar este artigo do Le Monde Diplomatique Brasil ou, se tiver tempo, pesquisar os dados relevantes através das fontes usadas pelo autor do artigo como, por exemplo, a PNAD.)

Para completar este ódio, similar àquele visto em 1984 quando os habitantes da Oceania vilificam Goldstein, traidor-mor do Partido, é sempre divertido verificar que qualquer defesa das vitórias do presente governo é imediatamente atacado com alguma interjeição do tipo "petista de merda!", ou "pára de ler panfleto do PT, caralho!". É uma impossibilidade até física para meus familiares imaginarem que dar mérito ao governo Lula por suas conquistas não implica automaticamente apoio incondicional ao governo, ou que não haja sérias ressalvas para com o mesmo (atitude esta similar a incapacidade de muita gente na esquerda brasileira de dar mérito aos governos Itamar Franco e FHC por conta de suas políticas econômicas, por exemplo, que têm indubitáveis qualidades). Exemplo disto é a atitude de Kleison junto ao já mencionado Mino Carta, editor de Carta Capital: um vendido, segundo meu tio, simplesmente porque Carta declarou abertamente seu apoio a Lula em 2002 e 2006. Carta fez o que a vasta maioria da grande imprensa do primeiro mundo faz, ao dar o apoio de sua revista a um político candidato a presidente/primeiro-ministro (nunca vi Kleison falar mal da Economist por abertamente apoiar Barack Obama). Mas, visto que a nossa Grande Imprensa nunca divulga abertamente seu apoio aos seus candidatos (quase sempre de direita), a atitude de Carta o transforma em bandido. Seria risível se, mais uma vez, não estivéssemos falando de alguém com diploma universitário e pelo menos algum treinamento em lógica (Kleison, afinal, é advogado).

Eu poderia, sem exagero, transformar este post em dissertação: poderia falar da hipocrisia de Kleison (e, aliás, de quase toda minha família) quando se trata do conflito Israelo-Palestino, onde os israelenses estão sempre certos, respeitem eles ou não o direito internacional. Se os israelenses querem ocupar Gaza ou a Cisjordânia, não só podem como devem; se um palestino reagir e for morto junto a sua família, é mais um terrorista que se foi. É uma cegueira ideológica violenta, pois já se trata de doutrina: judeus são sempre perfeitos e sempre vítimas, e o fato que o mundo (ou, como insisto em dizer, o bonde da história) acredita cada vez menos neste discurso nefasto simplesmente quer dizer que há 6-e-alguma-coisa bilhões de anti-judeus por aí, obrigando nós pobres coitados judeus a aceitar e permitir que Israel tenha mais de 200 ogivas nucleares e colonize qualquer território que bem entender; devemos, no final das contas, tratar Israel (e, claro, os EUA) como um time de futebol, e a ela nos dedicarmos de maneira absolutamente irracional, como corintianos que choram no estádio quando seu time cai para a Segunda Divisão.

Poderia também falar de seu preconceito para com homossexuais, como quando disse que Foucault era um devasso, um perverso, simplesmente porque buscava uma maior liberdade sexual para as pessoas. Chegou, inclusive, a dizer que a minha curiosidade para com o pensador francês era parecida com a curiosidade que tantos tinham pelas idéias de Hitler nos anos 20 e 30; seria gozado se, em sua absurda ignorância, não fosse triste. Digo desde já que considero Foucault um interessante historiador e, enquanto filósofo, um masturbador que algumas vezes acertou em suas descrições e considerações.  Mas Kleison, um tanto homofóbico e machista, já não consegue aceitar a busca do autor de História da Sexualidade por maior liberdade porque este era gay e morreu devido à AIDS. É aquele velho papo que o comportamento devasso dos viados (sic) trouxe o HIV ao mundo, mas que sempre ignora que a guetoização, assim por dizer, de um grupo de pessoas pode nos levar a desconsiderar a verdadeira natureza de um evento como a AIDS. Hoje, vemos que AIDS afeta gente em geral, e que a homofobia de pessoas como Ronald Reagan nos impediu de começar mais cedo a busca pelo entendimento da doença e um possível tratamento em âmbito internacional.

Enfim, poderia aqui escrever ad infinitum sobre Kleison e seu conservadorismo. Aliás, sobre ele e tantos familiares meus. Escrevo, na verdade, porque acho lamentável ver-me cercado por pessoas bem mais inteligentes e capazes do que eu que insistem em serem reacionários da pior espécie, aquela que o faz para não se avaliar ou reavaliar. Vejo aqueles mais próximos a mim insistirem no ódio, no preconceito, no mesmo tipo de atitude que, na pior das hipóteses, pode levar a exatamente o tipo de comportamento coletivo sobre o qual alguns deles tanto se obcecam: o nazismo. A vida inteira escutei que devemos recordar do holocausto promovido pelos nacionais-socialistas alemães, que é tão fácil repetir aqueles terríveis anos; mesmo assim, vejo em Kleison e tantos outros entes queridos o mesmo tipo de pensamento, a mesma atitude que ajudou Hitler, Himmler, Hydrich e tantos outros a não só obterem poder como também usá-lo para fins dos mais cruéis e desumanos. Quando no colégio, um professor de história, Jeff Lippman, perguntou ao final de um filme sobre campos de concentração se qualquer um de nós poderia fazer o que fizeram os alemães. Na hora, ingênuo, respondi que não, mas vejo em minha própria família que ser nazista, tornar-se cruel e indiferente, é demasiado fácil.

Thursday, October 30, 2008

Tragédias do Brasil 2: A Ressurreição (lançamento em breve)

Ao ler um post do Blog do Mino, lembrei-me de meu post "Tragédias do Brasil" e percebi que faltavam duas outras importantes calamidades na história do Brasil: a escravidão e, é claro, as Organizações Globo. Mas, como a Álgebra Linear me chama (haverá prova amanhã), escreverei sobre isso depois. Sim, eu sei, será doloroso demais esperar este update teórico, mas first things first. Até.

Monday, September 08, 2008

Tragédias do Brasil

O Brasil teve duas grandes tragédias em sua história: o Império e a ditadura de '64. O primeiro por seu incrível anacronismo, mesmo à época, já que havia mais ao norte um bom exemplo de República bem-sucedida e, à fronteira, vizinhos que firmavam suas próprias versões deste estilo de governo (mesmo que modelos lamentáveis e pouco eficazes). O Brasil, país eleito por Deus, tinha, no entanto, uma elite que sabia melhor, e ficamos com um ditador, uma regência composta por recém-formados do Mobral e um acadêmico que, ó incômodo!, virou rei.

Daí veio '64. Nossa magnífica classe dominante, aliada às nossas paranóicas e ferozmente incompetentes forças armadas, desfilaram um golpe de estado, e pelas mais diversas razões, as principais sendo o perigo que corria a louvação à Cristo e, claro, a marcha da subversão que, como já disse Mino Carta, estamos a esperar até hoje. Foi um golpe que resultou num Brasil que, à primeira vista, era deslumbrante: não se ouviam queixas de estudantes hippies e pobres (e quando se ouvia, cassetete neles!). E melhor de tudo, a classe média pôde comprar seus Fuscas e geladeiras à prazo e curtir um Brasil livre de comunistas e pretos sujos à rua reclamando da vida. Viva o capitalismo!

As eventuais mortes de estudantes, jornalistas ou mecânicos por parte do aparato de "segurança" (terror, mesmo, era filha de "família boa" casar-se com algum pobre, ou vagabundo) eram, antes de '73, vistas como normais por grande parte da população; afinal, o Brasil crescia a um ritmo fantástico (veio depois a ser o país que mais cresceu no século vinte, segundo Delfim Netto, em entrevista de 2000 ao livro Histórias do Poder), abençoava o país um tal de milagre. As classes média e empresarial só vieram a perceber seu tosco erro em '73 e, principalmente, em '79, quando duas crises do petróleo tornaram mais difíceis comprar um Fusca e uma tevezinha bacana para chamar a vovó para ver a Fantástico domingo à noite. Ficamos, após a ditadura acima mencionada, com um país de economia dúbia, instituições ou lamentáveis ou inexistentes, uma população débil (o coronel Jarbas Passarinho consegui, como ministro da educação, deseducar um país inteiro), um corpo estudantil desmotivado e despolitizado e uma incapacidade patológica de dizer um firme não ao autoritarismo, à corrupção e à tortura, que até hoje é vista com bons olhos. A única coisa que melhorou desde então (digamos, '88) foi a economia. Não é pouca coisa, mas não é mais do que um começo.

O que certamente reflete neste perfil do jovem de hoje que o Datafolha pesquisou e publicou em julho deste ano. Vemos um jovem que, ao contrario do que se espera, é preocupado não com revolução ou em "causar", mas com arranjar um emprego, ter seu próprio dinheiro e casa própria e, claro, estudar. Mas poderia ser diferente? Até '95, estávamos acostumados com o preço de quase qualquer artigo mudar uma ou duas vezes em um só dia. Antes desta data, o Orçamento da União era um delírio, uma ficção. Só depois do Plano Real é que pôde vislumbrar-se, pelo menos do ponto de vista dos jovens, a obtenção de empregos fixos que não fossem estatais, financiamentos que não dessem errado no meio do caminho, a oportunidade de ir à universidade, mesmo que essa fosse a Uninove ou a Uniban.

E pior: este mesmo jovem não só tem perspectivas completamente individualistas, como também prima por um comportamento lamentavelmente conservador. Segundo a mesma pesquisa, vemos um jovem brasileiro que acha que a lei do aborto é boa do jeito que está (mesmo quando o aborto tornou-se, como descreveu José Gomes Temporão, um problema de saúde pública). Vemos um jovem que acha que se deve ter uma pena de prisão para menores de dezoito anos, que se deve proibir a maconha.

É rir para não chorar, especialmente porque este é o mesmo jovem que não acompanha o noticiário político, que insiste em ir a igreja procurar consolo, que não lê nem jornal nem livro, que acha que garotas devem casar-se virgens e que transam pela primeira vez aos quatorze, quinze anos. É profundamente deprimente ver, tanto na FGV, onde presentemente estudo, quanto em pesquisas como a do Datafolha, que os jovens hoje acham que a felicidade está em tradição, família e propriedade, este mesmo lema que custou-nos vidas, torturados, cidades ultraviolentas, mais e mais viciados em drogas, corrupção endêmica, mães aos dezoito, atraso em todos os sentidos.

Não sei dos jovens do resto do Brasil além de pesquisas como a que mencionei. Nem conheço direito os jovens da FGV. Mas se depender destas pesquisas e daqueles que conheci em sala de aula, o Brasil está fodido. Sim, fodido, esta é a palavra científica para se descrever o Brasil do futuro. Se o melhor que teremos como liderança próxima são pessoas que não se interessam pelo fato que pode-se se comprar até um ministro do Supremo Tribunal Federal, pessoas que acham que todo o patrimônio público é deles, pessoas que acham que um bom emprego e um carrão trazem felicidade, nós estamos fodidos. Mas até aí, nada de muito novo, o Brasil é uma bosta desde 1530.

Publico este post sem revisão; temo que, se revisá-lo, deixarei de ser honesto. Sei que não sou exemplo a ser seguido, pois muito caguei nesta vida, muitos erros cometi que eram evitáveis. Mas não pode ser que aquilo que o futuro guarda para o Brasil são líderes que não lêem e não se interessam, exceto por dinheiro, poder e uma cega devoção ao Livro Preto, supostamente composto pelas sábias palavras de um Velho Barbudo que, apesar de perfeito, criou as bichas, os pobres, os pretos e todos aqueles que estes mesmos devotos líderes amam odiar.

Tuesday, February 12, 2008

Carta Capital & Mino Carta

To my dear English-speaking readers, the following blog's in Portuguese. Once again, for translations, try out Foxlingo.

* * *

Falo, já há algum tempo, para quem quer e não quer ouvir, que a única revista semanal que presta neste país é a Carta Capital. Digo isto por algumas razões. Primeiramente, parece-me ser a única cuja eminência parda, Mino Carta, aparenta preocupar-se com Jornalismo. Em segundo lugar, trabalham na revista jornalistas de verdade (Phydia de Athaide, Leandro Fortes, Ana Paula Sousa, et al.), pessoas que investigam e cumprem aquilo que é, ao meu ver (de leigo), o dever de todo indivíduo que pratica tal profissão: buscar a maior aproximação possível da verdade. Em terceiro lugar, em nenhuma parte da revista encontra-se um português massacrado por pseudo-jornalistas aparentemente semi-analfabetos.

Mais importante, talvez, seja o fato de que, apesar de saberem que não podem visar, como público-alvo, mais do que a classe média, a classe média-alta e a classe alta, aqueles que trabalham na Carta Capital aparentam demonstrar genuíno interesse no Brasil inteiro como assunto, não apenas no Brasil que serve à cobiça daqueles que, por sorte, ganância, ladroagem, trabalho ou uma mistura destes, ganham mais de R$800 por mês.

A revista em questão não é perfeita, de maneira alguma, e não concordo com tudo que ela fala e faz. Ao meu ver, sua posição quanto a política econômica do governo Lula não é correta; acho que a revista errou feio na sua reportagem quanto ao filme Tropa de Elite; e acho um violento equívoco o fato de a Carta Capital nunca entrevistar o corpo do contingente das Polícias Militar e Civil -apenas Capitães, Coronéis e Delegados, e isso só de vez em quando.

Mas continua a ser uma revista semanal honesta: sempre foi pró-Lula, e assim nos conta, desde sempre. E quando discordou do mesmo; de seu governo; ou daqueles proximos do presente presidente, assim notificou ao seus leitores. Mino Carta é uma pessoa de esquerda; todos na revista, aliás o são (ou pelos menos o aparentam ser). O foda aqui no Brasil, já que este é um país francamente de direita (entre, claro, as pessoas que ganham mais de R$800 reais por mês, que são os únicos que realmente têm voz na Grande Imprensa) é que ter uma revista dessas já faz a muitos chiarem, chiado esse que ouvi quando, na banca da Nove Julho, próxima à entrada da FGV, sugeri ao meu amigo Eitan comprar a Carta. Disse-me ele que ela era "tendenciosa". Sim, por que a Veja não é. Nem a IstoÉ, nem a Época, nem a Veja.

O problema é que aqui, em Terra Brasilis, aquilo que não vem ao encontro da opinião de certo sujeito (Eitan, neste caso) é tendencioso(a). Imagino que muitos partidários do PCdoB devem achar a Veja super tendenciosa e a Caros Amigos a nona maravilha do mundo moderno, especialmente aquela edição especial que, se não me engano, intitulava-se "Cuba, Sempre" (foi após esta edição, diga-se de passagem, que deixei de ler a revista).

Muito mais interessante, talvez, seja as pessoas primarem por duas coisas: a procura do bom jornalismo (seja ele de direita, esquerda, centro, da casa da minha avó) e o entendimento de que tudo que há em termos de jornalismo e informação, mesmo agências de notícias (Reuters, Efe, etc.), é tendencioso.

Por último, vale mencionar que a Veja e a IstoÉ viveram seus melhores momentos de jornalismo quando Mino Carta era chefe de suas respectivas redações. Provavelmente saiu por suas posições, mas isso é conjectura minha.

Aqui vai, então, em três partes, uma entrevista que Carta deu ao jornalista esportivo Juca Kfouri no programa "Juca Entrevista", da ESPN. É um programa esportivo e um dos principais focos da entrevista foi, ou era para ser, os jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, onde houve uma roubalheira por parte dos organizadores (Arthur Nuzman e Cia Ltda.) incrível. Como caveat, menciono que Juca também é de esquerda e muito provavelmente votou para a Heloísa Helena na eleição de 2006 pois, em sua entrevista para a revista Caros Amigos em Junho do mesmo ano, apresentou certa preferência por esta candidata.

Entrevista, Parte 1



Entrevista, Parte 2



Entrevista, Parte 3

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