The life and times of a Brazilian snob, in English and Portuguese. Yes, I know, wow. Grandes momentos e fortes emoções em inglês e português; direto do mundo dos blogs para a Academia Brasileira de Letras. Ou não.
O Chile de Augusto Pinochet, tido por muitos como um grande exemplo de sucesso do plano econômico neoliberal, faliu em 1982. O governo Chileno, tão capitalista, mão-de-ferro e religioso (católico), foi obrigado a nacionalizar praticamente tudo que fora previamente privatizado. Os Chilenos, tirando sarro da Universidade de Chicago e suas diretrizes econômicas aplicadas ao Chile, chamam esse episódio de sua história de socialismo chicago style.
Para mais informações, vale a pena ver o mais recente livro da jornalista canadense Naomi Klein, The Shock Doctrine. Muito ilustrativo, entre outras coisas, de como a memória histórica de alguns é pateticamente seletiva, visto que pouquíssimos se lembram da falência do modelo de Chicago no Chile, e do fato que este país revitalizou sua economia caminhando rumo a um modelo social-democrata.
Fui descrito ontem à noite como revoltado. Senti tons de desaprovação. Então, após meses de inatividade....
Como ilustraram Bakunin e Camus, ser revoltado é ser humano. Mas não confundamos revoltado com revolucionário, nem revoltado com simplesmente bravo. Eu não estou bravo, nem sou grande crente em revoluções. Mas revoltar-se contra esse mar de merda que vejo ao meu redor, permeando a vida pública e vida privada: não vejo isso como nada mais que humano.
Itsván Mészáros certa vez postulou que sofríamos (e continuamos a sofrer) uma crise de subjetividade: não vemos para além do capital. Concordo, mas também não vemos para além do Estado, muito menos de Deus. É uma miopia gritante, sufoca.
Revolto-me contra o que cerceia a liberdade, e essas três instituições acima -Deus, Estado e o Capital- fazem exatamente isso. Ser humano é não aceitar a mediocridade de aceitar. Portanto, revoltar-se.
Vejo como prova de que a revolta é válida essa guinada patética que o mundo, a partir do final dos anos 70, deu para a direita. Pensou-se que era melhor ter ordem do que justiça. Concluiu-se ser mais desejável financeirizar a economia mundial, transformando o Estado (que de maneira alguma diminuiu de tamanho, vide os EUA) em instrumento subordinado a quem detém controle do capital. Deu no que deu: tirando o Chile de Augusto Pinochet, nenhuma economia neoliberal conseguiu crescimento que não fosse, quando comparado àquele do período do capitalismo denomimado "dourado" (pós-guerra ao primeiro Choque do Petróleo), pífio, dependente sempre de bolhas. Países que tiveram crescimento notável ou eram/viraram social-democratas (Inglaterra, por incrível que pareça) ou usam trabalho escravo (Índia e China, por exemplo).
Além da economia, pensou-se em trocar, como é típico do pensamento da direita, justiça por ordem. E deu no que deu: aumento da criminalidade (em geral, como no Brasil, ou da delinqüência juvenil, como na Grã-Bretanha), do uso de drogas, da gravidez precoces, dos casos de DSTs...
Como notou Orwell, entre outros, o mundo, desde a final da era Vitoriana tem em suas mãos a possibilidade de acabar com a fome, com a miséria, com a necessidade. Curiosamente, cá estamos, com fomes aguçadas pelo mercado (ver, por exemplo, o trabalho de Amartya Sen a respeito da quão eficaz é o mercado, ou o trabalho de Joseph Stiglitz, a respeito da possibilidade econômica da não-intervenção estatal em assuntos fiscais e monetários); uma epidemia que alastra-se mundo afora, em grande parte por causa de conservadorismo derivado de religião; e crises financeiras seríssimas a cada década.
Revolto-me porque não vemos além daquilo que nos impossibilita de ser livre. Quanto a Deus, o já-mencionado Bakunin disse tudo: é o maior algoz da humanidade (a respeito disso, ver o seu livro Deus e o Estado). O Estado existe para si mesmo; é no mínimo ingênuo pensar que ele suprirá as necessidades de alguém a não ser ele próprio. Quanto ao Capital, este trouxe um mundo melhor do que aquele que havia antes dele, mas não trouxe uma sociedade justa. E sem justiça, não há ordem, e sem justiça não há liberdade.
Se aceitar as coisas como são valesse a pena, o Brasil não seria o caos que é hoje, com uma elite nefasta (elite essa da qual faço parte, diga-se de passagem) que acaba com todas as possibilidades de todos os brasileiros e do próprio país. Aceitar as coisas como são deu-nos o mundo que hoje temos: mais perto de uma guerra nuclear, de catástrofes ambientais, mais perto do fim de tudo.
Ser rico, crer em Deus, ou ser burocrata não é desculpa para nada. O desejo de ser rico transformou o EUA no país mais perigoso do mundo; crer em Deus (e tudo que isso implica) fez de Israel um estado racista, assassino e suicida (ó, ironia!); e elevar a burocracia à patamar de divindade fez da China o maior país escravocrata do planeta. Revoltar-se é apenas abrir os olhos para o que está bem em frente do nariz e parar de olhar para a porra do umbigo.
To my dear English-speaking readers, the following blog's in Portuguese. Once again, for translations, try out Foxlingo.
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Falo, já há algum tempo, para quem quer e não quer ouvir, que a única revista semanal que presta neste país é a Carta Capital. Digo isto por algumas razões. Primeiramente, parece-me ser a única cuja eminência parda, Mino Carta, aparenta preocupar-se com Jornalismo. Em segundo lugar, trabalham na revista jornalistas de verdade (Phydia de Athaide, Leandro Fortes, Ana Paula Sousa, et al.), pessoas que investigam e cumprem aquilo que é, ao meu ver (de leigo), o dever de todo indivíduo que pratica tal profissão: buscar a maior aproximação possível da verdade. Em terceiro lugar, em nenhuma parte da revista encontra-se um português massacrado por pseudo-jornalistas aparentemente semi-analfabetos.
Mais importante, talvez, seja o fato de que, apesar de saberem que não podem visar, como público-alvo, mais do que a classe média, a classe média-alta e a classe alta, aqueles que trabalham na Carta Capital aparentam demonstrar genuíno interesse no Brasil inteiro como assunto, não apenas no Brasil que serve à cobiça daqueles que, por sorte, ganância, ladroagem, trabalho ou uma mistura destes, ganham mais de R$800 por mês.
A revista em questão não é perfeita, de maneira alguma, e não concordo com tudo que ela fala e faz. Ao meu ver, sua posição quanto a política econômica do governo Lula não é correta; acho que a revista errou feio na sua reportagem quanto ao filme Tropa de Elite; e acho um violento equívoco o fato de a Carta Capital nunca entrevistar o corpo do contingente das Polícias Militar e Civil -apenas Capitães, Coronéis e Delegados, e isso só de vez em quando.
Mas continua a ser uma revista semanal honesta: sempre foi pró-Lula, e assim nos conta, desde sempre. E quando discordou do mesmo; de seu governo; ou daqueles proximos do presente presidente, assim notificou ao seus leitores. Mino Carta é uma pessoa de esquerda; todos na revista, aliás o são (ou pelos menos o aparentam ser). O foda aqui no Brasil, já que este é um país francamente de direita (entre, claro, as pessoas que ganham mais de R$800 reais por mês, que são os únicos que realmente têm voz na Grande Imprensa) é que ter uma revista dessas já faz a muitos chiarem, chiado esse que ouvi quando, na banca da Nove Julho, próxima à entrada da FGV, sugeri ao meu amigo Eitan comprar a Carta. Disse-me ele que ela era "tendenciosa". Sim, por que a Veja não é. Nem a IstoÉ, nem a Época, nem a Veja.
O problema é que aqui, em Terra Brasilis, aquilo que não vem ao encontro da opinião de certo sujeito (Eitan, neste caso) é tendencioso(a). Imagino que muitos partidários do PCdoB devem achar a Veja super tendenciosa e a Caros Amigos a nona maravilha do mundo moderno, especialmente aquela edição especial que, se não me engano, intitulava-se "Cuba, Sempre" (foi após esta edição, diga-se de passagem, que deixei de ler a revista).
Muito mais interessante, talvez, seja as pessoas primarem por duas coisas: a procura do bom jornalismo (seja ele de direita, esquerda, centro, da casa da minha avó) e o entendimento de que tudo que há em termos de jornalismo e informação, mesmo agências de notícias (Reuters, Efe, etc.), é tendencioso.
Por último, vale mencionar que a Veja e a IstoÉ viveram seus melhores momentos de jornalismo quando Mino Carta era chefe de suas respectivas redações. Provavelmente saiu por suas posições, mas isso é conjectura minha.
Aqui vai, então, em três partes, uma entrevista que Carta deu ao jornalista esportivo Juca Kfouri no programa "Juca Entrevista", da ESPN. É um programa esportivo e um dos principais focos da entrevista foi, ou era para ser, os jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, onde houve uma roubalheira por parte dos organizadores (Arthur Nuzman e Cia Ltda.) incrível. Como caveat, menciono que Juca também é de esquerda e muito provavelmente votou para a Heloísa Helena na eleição de 2006 pois, em sua entrevista para a revista Caros Amigos em Junho do mesmo ano, apresentou certa preferência por esta candidata.
So the US got censured by the UN again; this time, the big no-no was waterboarding. And, as usual, it is highly likely the US government, a large portion of its population, and an even bigger swath of its political class don't give a flying fart. After all, we're talking about a country that has sent it's foreign prisoners to Egypt and Syria (yes, Syria) to be "questioned". Human Rights Watch just stated on 1 February that the US and Britain were being hypocritical when it came to dictators, despots, flawed polls, and sending prisoners and such to be tortured abroad. In the meantime,these two bastions of freedom and liberty hear of allies like Russia and Israel doing similar things and turn a blind eye.
No news here, of course, we've known this forever. But not always all of it. So, in the spirit of public service -and isn't that what blogs are supposed to be about- I've posted here a few more sites for my few?/sole?/inexistent? reader(s) to check out. All, of course, with the best intentions. PG-13 stuff, you know...
First up is Rebel Resource, which always has some interesting reading here and there. More interesting, though, are the links to other sites, like the Norman Finkelstein archives. Then there's LeftWatch, which is precisely what one needs when reading not only Rebel Resource but the links located in it as well. It's a good site, well researched, and most of the stuff is thoughtful and well-written.
More important, though, is If Americans Knew, which has been around for some time, now, and been doing, from what I understand, a fairly good job of amassing a substantial amount of information concerning the Israeli-Palestinian conflict. Worth a look.